sábado, 7 de fevereiro de 2009



"A distância entre nós pode ferir-me profundamente,

mas nada me fará esquecer-te.

Um milhão de palavras não podem fazer que voltes.

Sei-o, porque tentei-o.

Também não um milhão de lagrimas.

Sei-o porque chorei até não poder mais..."



" De que valeu?

De que valeu o suspiro de saudade?

De que valeu a melancolia pelos desencontros?

De que valeu a esperança por novo encontro?

De que valeu as luzes de vela?

De que valeu aquele sorriso seguido de uma dança?

De que valeu o desejo dos nossos corpos?

De que valeu querer tanto que os nossos destinos se encontrassem?

De que valeu o vento nos nossos rostos?

De que valeu o beijo com gosto de quero outro?

De que valeu dizer "esperei muito tempo por este momento"?

De que valeu o abraço quando a saudade era maior que nós os dois juntos?

Diz, de que valeu a espera sem saber que um dia teríamos este desencontro?
Eu já sei responder...e tu sabes?

Podes fazê-lo... "



Por: Mico

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Talvez nunca entendesses que desisti de uma parte de mim quando desisti de ti...











"... A verdade é que nem sempre fazemos as melhores escolhas....



Nem sempre de facto temos as melhores atitudes e a isso chamamos errar...
É por isso que alguém quando inventou a linguagem resolveu inventar a palavra perdoar...
Porque ninguém existe só e não podemos ser tão pretensiosos que pensamos que nós não erramos nunca!
É normal e aceitável que pensemos sempre na nossa prespectiva e que o sofrimento do mundo pareca sempre menor que o nosso porque somos nós que sentimos e sabemos o quanto dói...
Por vezes os nossos proprios gestos magoam e nós não sabemos...
E foi por isso que alguém também inventou as lágrimas.... porque a boca nem sempre diz o que coração sente... às vezes por medo, por vergonha, por algo que nem nós conseguimos explicar...
Ou por vezes a boca revela a rispidez que nem sentimos...mas que às tantas transparecemos sem saber a razão... mas algo nos feriu e temos de rebentar...
O ser humano é sempre complicado....demasiado elaborado para a sua própria compreensão...
Talvez as nossas próprias mentes sejam demasiado rudimentares para se compreenderem a elas mesmas quanto mais ao resto do mundo...
As relações humanas são de facto demasiado complexas e no fundo, para alguém nos desiludir basta-nos fazer uma coisa... ESPERAR!

Há sempre o momento... porque erros... a nossa vida está cheia deles...
Por isso mesmo digo que talvez nem sempre tenha escolhido o certo...
Mas ha sempre momentos em que devemos ter um pouco de egoismo e pensar somente em nós... às vezes magoamos pessoas, é verdade e sentimo-nos legitimados por também já termos sido magoados...
A vida é um ciclo no minimo estranho... mas faz sentido no fundo...
Às vezes partimos em busca do que não devemos... damos tudo pelo que não deveriamos dar nada...
Outras vezes damos nada pelo que deveriamos dar tudo...
Somos frios...demasiado carinhosos...brutos...demasiado submissos...trocamos as voltas a nós mesmos e no fim somos uma mistura de atitudes...de escolhas...
Umas certas, outras não...
E só o tempo nos pode fazer olhar para tudo com clareza...às vezes a mágoa é mais forte que a razão...às vezes não sabemos esquecer...
Por muito que exista muito mais para além do mau que sentimos por dentro...por vezes existe o bom...mas nem sempre queremos lembrar o bom...
Dói sempre mais...
Nem sempre as coisas são como vemos na totalidade mas no fundo também sabemos o que queremos ver...por vezes vemos o mal e queremos tanto ver o bem que já o vemos sem ele de facto existir...
Outras vezes queremos somente ver o mal porque o mais infimo bem que exista vai-nos fazer fraquejar.....E o dificil na vida são aquelas decisões que nos momentos de fraqueza nos fazem querer voltar atrás...

Mas o coração sabe aquelas razões que nem sempre a boca diz...ou que não queremos reconhecer... em sempre o mundo falha para nós e nós não falhámos para o mundo...não é de facto assim...

Há alturas na vida em que de facto o mundo falha e nos deixa desamparados... há muitas alturas sim...
E por muito que queiramos pensar que esse mundo nos faz falta...é um mundo que magoa...dói...
Por muito que tudo o resto tenha sido errado... por muito que o presente não seja o melhor...por muito que a luta esteja no inicio e não no fim... a vida ensinou-me com o tempo que no passado não há respostas...

Por vezes é no passado que estão as verdadeiras perguntas...

E será que este presente é de facto real??? ou foi alguma vez???? Ou será que mais uma vez a vontade de acreditar é tanta que acreditamos sem querer numa coisa que nem sentimos só porque o mundo falhou connosco...
Talvez no fundo saiba aquelas coisas que não digo...
Que o presente não existe...que nunca o senti...e que somente era mais fácil ter força para desistir do passado se encontrasse um presente para não afundar...
Talvez tudo fosse uma desculpa para me sentir mais forte para abandonar a dor que ainda doi... porque na verdade, se o presente fosse tao importante assim... não era no mundo que me falhou para onde eu teria vontade de correr quando o resto do mundo está mal...
E é nesse mundo que existe um abrigo...

Mas é mais fácil pensar nos erros do mundo...por muito que esse mundo seja parte do nosso proprio mundo...

Nem sempre é fácil seguir por outro caminho...
O mundo la fora também dói...
Mas depois de tanto, seria inutil, seria infrutifero e um veneno que mata devagar...
Por muito que o mundo não saiba o que se pensa... por muito que o mundo pense que existe raiva do lado de lá...

A boca não diz o aperto que o coração sente pela falta do mundo no nosso mundo...
Mas nem tudo é perfeito.... e há coisas que simplesmente não podem ser...há limites na vida que necessitam de existir...

Há escolhas que não são fáceis por muito que agente saiba que também errou...mais...ou menos.... não importa a quantidade, por muito que saibamos que também somos frágeis, que tambem ha dedos para nos apontar...

O que nos dói os erros do mundo parece tanto que no fundo pensamos que nenhum erro nosso atinge esse mundo impenetrável que nunca nos deixou conquistar...
Nem sempre é facil compreender... talvez nenhum de nos se compreenda ou alguma vez tenha compreendido...

Talvez seja de facto a mente humana que seja demasiado complexa...
Talvez não tenhamos dito as palavras certas.... talvez não tenhamos sabido explicar...talvez...
Mas não escolhemos o mundo que amamos e por vezes esse mundo não sabe conviver com o nosso amor...

Talvez não tenha sido a altura certa... as palavras certas...o momento ideal...talvez não tenha sequer sido a vida certa...talvez não tenha sido a intensidade correcta no momento exacto...
Talvez tanta coisa e tudo isso...

E a unica certeza é que não se pode modificar...não se pode corrigir nem emendar...já passou...

E é pela falta de conformação que a distancia se impõe...é necessária...

Porque embora os olhos da alma vejam... os olhos do coraçao nao enxergam...é uma escolha...que talvez não seja fácil de entender...mas é a nossa vontade de partir por não suportar a dor de estar presente a ver ir e vir o mundo que queriamos ter dentro do nosso mundo...apesar de todas as falhas...apesar de tudo...

Com o tempo... a distancia vai afastando esse mundo da nossa vida e do coração...porque o tempo tem esse dom...mas a saudade... essa fica...e não é por um presente meio inconsciente que se esquece uma vida...apenas se intertém a alma...o corpo...o coração... com pequenos malabarismos da emoçao do que é novo e desperta curiosidade...

Só que o que permanece é aquilo que de facto um dia aprendemos a amar...embora esse amor seja já uma sombra...e permanece a questao de nunca sabermos o que o mundo pensa de nos...
E pensamos em todas aquelas coisas que nunca dissemos mas ja nao vamos querer dizer mais... não queremos lembrar...não queremos pensar...mas infelizmente ainda não se manda nos sonhos...

E talvez um dia..... fruto da nossa propria decisão...consigamos sorrir das boas lembranças sem doer no coração...
Pena que o mundo não entenda nem saiba, mas talvez seja melhor... talvez de facto a nossa decisao estivesse escrita nalgum lugar para ser tomada e talvez tudo isso tivesse de acontecer...
E todas as palavras ditas...têm tantos significados diferentes...a boca esconde tanto por fazer sofrer o coração...

Por ter falado tantas vezes e nunca ter servido de nada...nunca ter tocado em nada...palavras que iam e vinham e acabaram por se gastar...que não adianta mais serem ditas...
E talvez tenha sido demasiado tempo para perceber que seria melhor assim...desistir...desistir de procurar um conjunto de coisas que já não têm sentido...
Porque não conseguimos compreender o resto do mundo quando nos magoa a alma, vemos aquilo que nos corta cá dentro e nada mais...
E dói não poder dizer que existe saudade...mas que somos mais fortes que essa saudade porque simplesmente não queremos que doa mais...
E guardamos cá dentro todas as palavras que não mais diremos por medo de fazer o coração sentir o que a boca diz...em vão...e aí... toda a nossa escolha perderia a força e se não acreditar-mos nela não há mais maneira de seguir em frente...deixar o mundo partir...e escolher outra direcção para caminhar...
Nada dói mais do que obrigar-nos a esquecer tudo aquilo que somente quisemos amar...
E nunca te direi uma só palavra de tudo que acabei de escrever..."


"... Paro quando chego perto de ti e envolvo-te nos meus braços, anseio por este momento, mais do que qualquer outro, é a razão da minha vida. E quando tu retribuis o meu abraço, eu entrego-me a esse momento e fico em paz."


In "As Palavras Que Nunca Te Direi" - Nicholas Sparks

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Precisa-se de um amigo...



Precisa-se de um amigo...

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.

Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.

Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaros, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa.

Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor..

Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.

Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.

Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar.

Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.

Tem que ter ressonâncias humanas, o seu principal objectivo deve ser o de amigo.

Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.

Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.

Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.

Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.

Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.

Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.

Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para se ter a consciência de que ainda se vive.


(autor desconhecido)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Do afecto desse teu olhar,
Que ainda me toca a alma...
Do calor do teu beijo já tão ausente
Que me aquecia a boca...


Do toque da tua mão,
Que me embebia de ternura...


Do aconchego dos teus braços,
Que me faziam sentir tua...

Desse teu cheiro,
Que ainda me embriaga....


Do teu corpo roçando o meu,
Incendiando-me o desejo...


Sem ti,
os meus olhos deixaram de brilham...


A minha boca não tem gosto de nada...


A minha pele clama pelas tuas carícias...


Sem ti...
O meu corpo fica inerte,
Por não sentir o ardor do teu...


Tudo fica inodoro, insípido,descolorido, sem vida...


E tudo porque de ti ficou o vazio...

Não me deixes, meu amor...
Ter-te,
Sentir-te,
Respirar-te...


É sonhar,
é viver,


és a minha razão de ser!






quinta-feira, 29 de janeiro de 2009


Para me esquecer de ti,

era preciso não me lembrar do sol,

da lua linda que a noite oferece,

da brisa que sopra no meu rosto,

da terra que piso descalça e que me faz sentir livre...

para me esquecer de ti,eu precisava esquecer que existe vida,

que existe o mundo,

precisava apagar da minha mente tudo o que já vivi...

Esquecer-me de ti,

seria como morrer,

não ter mais memórias,

não sentir mais o bater do coração...

Esquecer-me de ti...


Como ?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009



Paixão esta

que não se explica

Não se entende

Não se escolhe

Apenas se sente
E como é bom me sentir assim

Como é bom perder os sentidos,

fazer loucuras

Como é bom querer-te, me perder em ti
Neste amor, as coisa simples

São meramente imensas!...

Um momento de cada vez

Uma paixão que enlouquece mas não machuca

Que me faz tremer

mas não me angustia

Que me deixa saudades de noite ou de dia
Um momento de cada vez

Um dia de cada vez

Talvez os dias que me restam Sejam pouco para tanto...

Mas é por isso que o amor tem a grandeza da eternidade...
E na despedida...

Quando isto tudo acabar

Eu sei que vou ter muito para dizer...

Muito para te amar...

Muito para além do porto...

Muito para além do mar...
Para sempre...


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Liberdade...


A liberdade é um dom... mas um dom que se conquista...

sábado, 24 de janeiro de 2009

O que queria de ti...




O que eu queria de ti não é exactamente o que tu querias de mim...

Queria me ligasses desejando um bom dia, que te recordasses sempre do nosso primeiro beijo, que não te esquecesses nunca da nossa primeira noite... e que cuidasses de mim... como eu tento cuidar de ti... em todos os momentos da vida...

Queria que me presenteasses em qualquer dia do ano, que me fizesses uma surpresa sem eu esperar, que me ligasses sem hora marcada só para me dizer que me amas...e que me abraçasses fora da cama...
Queria que me enviasses mensagens de amor... como ja o fizeste... em tempos...esquecidos... que não te esquecesses de dormir sem dizeres que me amas, que me amasses como se fosse a primeira vez... que me desejasses mesmo com o passar dos anos quando os meus cabelos se tornarem todos brancos... e mesmo tendo na minha pele marcas de uma vida... mesmo assim tu me amasses ...

Queria, que me fizesses sentir a melhor mulher todos os dias, que me perguntasses do que sinto saudade... ( ás vezes devemos sentir saudades, das coisas boas, sobretudo)...
Queria que me levasses para namorar no cinema,
para passear na praia...que me ajudasses a levantar quando não puder.
Queria de ti...o teu colo quando me sentisse sozinha...
que me estendesses a mão quando eu encolhesse a minha, que lesses os meus pensamentos mesmo sem dizer uma palavra... como em tempos... e que me suportasses nos momentos de tempestade.
Queria que estivesses ao meu lado em todos os momentos,
que me aprisionasses dentro do teu coração, que me criticasses para que eu possa evoluir e que não me julgasses pois não sou perfeita...

Queria ... que entendesses que os meus erros são iguais aos teus...que quando estivesse triste me fizesses sorrir, que me cubrisses de carinho, aconchego e amor.
O que eu queria de ti,não é exactamente o que tu querias de mim...


(por ser tão belo e real, expresso aqui palavras de um bom amigo...embora adaptadas são reais, sinceras e infinitamente belas...Obrigado Mico por seres a pessoa que és...)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Uma prenda...


Eu

Sei ke serei eskecido assim é a lei do mundo
um sonho doce e profundo dura apenas 1 segundo...
depois os sonhos se vão e ficam as saudades no meu CORAÇÃO

BJCS GRDS


BOM DIA ANJO MEU

A delicadeza do amor
Ser delicado é possuir alma de criança
É acreditar
É se emocionar ao ouvir o barulho do mar
É conversar com as paredes
É sentir a pureza de uma flor e se envolver no seu perfume
É admirar a liberdade das borboletas a suavidade de seu toque nas flores
É ouvir o sussurrar do vento falando de amor aos seus ouvidos
É perceber o barulho gostoso da chuva
o sentido da vida É ver a tempestade seus raios trovões e vendavais E logo ao amanhecer nasce o sol com seus raios multicores nos mostrando que vale a pena viver !

Luis Maninho

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Uma "prenda"...

Ausências




Tornaste-te, inantingível!
Ergueste à tua volta, uma muralha, que apenas a alguns é dado o direito de transpôr...
transformaste as lagrimas em duras pistas de gelo
as tuas palavras, outrora meigas e plenas de ternura; agora são duras e secas sem significados, nem significações...
A tua boca, quente, que aquecia a minha e me escaldava o corpo e as minhas noites; fechou-se... para mim
O teu corpo deixou de me procurar
o teu aroma, não se confunde já com o meu
distante de ti,
longe do teu corpo
a milhas de distância dos teus beijos
morro lentamente na sombra dos séculos que vivi...
a amar-te... assim sem mais!

Silêncios




"O silencio doí como pedra na lingua.
A vida por vezes não tem esperanças nem sentido,
tudo parece em paz e no entanto o amor
tem sempre uma mais fria recompensa.
desde a primeira flôr, pouco ainda mudou
essa face da noite com a face do homem.
O rouxinol canta, sim, a dor do homem canta
e à força de a esquecer, aprende-se a esquecer.
O silencio é de passos que atormentam a noite
e que ao fundo do fogo vão buscar a luz
para fazer arder as horas ate ao orvalho
onde a manhã se ri com os dentes da água.
Às vezes vagueia pelo pomar da noite
uma égua perdida numa nesga de luz,
é ador que pergunta e procura uma casa
junto à erva do peito, sob os olhos calados."


( autor desconhecido)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009



Nunca esqueças... o essencial é invisivel aos olhos...

Só se vê bem, com o coração...

domingo, 28 de dezembro de 2008

O Meu Menino...




Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como uma fotografia:
eu vi Jesus Cristo descer à Terra. Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez menino, a correr e a rolar-se pela erva A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo a ouvir-se de longe. Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais para fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.

Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo. É uma criança bonita, de riso natural.Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças de água, colhe as flores, gosta delas, Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,e foge a chorar e a gritar dos cãese Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha graça, corre atrás das raparigas que levam as bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.
A mim, Ele ensinou-me tudo.
ensinou-me a olhar para as coisas. Ele aponta-me todas as cores que há nas flores e mostra-me como as pedras são engraçadas quando as temos na mão e olhamos devagar para elas.
Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no degrau da porta de casa. Graves, como convém a um DEUS e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair no chão.
Depois eu, conto-lhe histórias das coisas só dos homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios.
Depois Ele adormece e eu levo-o ao colo para dentro da minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo materno até Ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma.
Às vezes Ele acorda de noite, brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pena pro ar,põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho,sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu brincar.




Autor-Alberto Caeiro

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

sábado, 20 de dezembro de 2008

Fly away from here my sweet angel...



Cada pessoa é do tamanho dos sonhos que busca






Se seduzires a minha mente, dar-te-ei o meu corpo... mas se encontrares a minha alma, serei tua por inteiro..