quarta-feira, 18 de março de 2009





Talvez amar alguém seja o único ponto de partida para tornar nossa... a nossa vida...




"O amor nasce do prazer de olhar um para o outro,
é alimentado pela necessidade de ver um ao outro,
e é concluído...
com a impossibilidade da separação!"


Jose Marti Y Perez

segunda-feira, 16 de março de 2009

A tua Ausencia...




Tenho razão de sentir saudade,tenho razão de te acusar.

Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora.

Detonaste o pacto.

Detonaste a vida geral,

a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo
sem consulta
sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.

Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.

Que poderias ter feito de mais grave do que o acto sem continuação,
o acto em si,

o acto que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,

de nossa convivência em falas camaradas,

simples apertar de mãos,

nem isso,

voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.

Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste,

porque te foste ...


Carlos Drummond de Andrade



Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de muito grave, para sentirmos tanta saudade... Trancar o dedo numa porta dói.

Bater com o queixo no chão dói.

Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé , doem.

Dói bater a cabeça na quina da mesa,

Dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.

Mas o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe, Saudade de uma cachoeira da infância, Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais, Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu, Saudade de uma cidade, Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem estas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.

Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.

Saudade da presença, e até da ausência consentida.

Você podia ficar no quarto e ela na sala, sem se verem, mas sabiam-se lá.

Você podia ir para o dentista e ela pra faculdade, mas sabiam-se onde.

Você podia ficar o dia sem vê-la, ela sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.

Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber.

Não saber mais se ela continua fungando num ambiente frio.

Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.

Não saber se ela ainda usa aquela saia.

Não saber se ele foi à consulta com o dermatologista como prometeu.

Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre culpada,

Se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na internet,

A encontrar a página do Diário Oficial,

se ela aprendeu a estacionar entre dois carros,

Se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua detestando McDonalds,

Se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,

Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,

Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...

É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.

Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.

Saudade é isso que eu estive sentido enquanto escrevia

E o que você provavelmente estará sentindo depois que acabar de ler.


Martha Medeiros



Saudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora,

mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,

é recusar um presente que nos machuca,

é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,

é a dor dos que ficaram para trás,

é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:

aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:

não ter por quem sentir saudades,

passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


Pablo Neruda

sábado, 14 de março de 2009





Se tu me amas,

ama-me baixinho

Não o grites de cima dos telhados

Deixa em paz os passarinhos

Deixa em paz a mim!

Se me queres,

enfim,

tem de ser bem devagarinho,

Amada,

que a vida é breve,

e o amor mais breve ainda...



Mário Quintana

Sentes como te percorro num sonho...???


Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu - eco da lua
E dos jardins,
os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos,
Aqui sou eu em tudo quanto amei
Não por aquilo que só atravessei
Não p'lo meu rumor que só perdi
Não p'los incertos actos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei

Sophia de Mello Breyner Andersen

quinta-feira, 12 de março de 2009




A minha desforra são palavras.

Levanto-me de manhã amarrotado pelo peso inclemente das mentiras

e vazo no real outro real

das letras que ninguém vislumbrará.

O pássaro que canta é uma palavra,

é uma carta escrita a este,

àquele,

que me saiu do lápis da amargura;

tudo se refaria se jamais feita fosse alguma coisa que a minha mão não desse.

Desforro-me sem gosto.

Desforro-me sem gasto,

acorrentado ao que me vem de trás

e ao que virá

e que não sei se quero.


[in Analogia e Dedos, Oceanos, 2006]
Pedro Tamen

segunda-feira, 9 de março de 2009

Vejo-me do outro lado de mim...




Se pudesse atravessar o espelho... iria...
para o outro lado de mim...



sábado, 7 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher






"Não se nasce Mulher: torna-se"



Simone de Beauvoir




Dia Internacional da Mulher




Durante séculos, o papel da mulher incidiu sobretudo na sua função de mãe, esposa e dona de casa.


Ao homem estava destinado um trabalho remunerado no exterior do núcleo familiar.


Com o incremento da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX, muitas mulheres passaram a exercer uma actividade laboral, embora auferindo uma remuneração inferior à do homem. Lutando contra essa discriminação, as mulheres encetaram diversas formas de luta na Europa e nos EUA.

LENDA E REALIDADE


"A lenda" do Dia Internacional da Mulher como tendo surgido na sequência de uma greve, realizada em 8 de Março de 1857, por trabalhadoras de uma fábrica de fiação ou por costureiras de calçado - e que tem sido veiculada por muitos órgãos de informação - não tem qualquer rigor histórico, embora seja uma história de sacrifício e morte que cai bem como mito.


Em 1982, duas investigadoras, Liliane Kandel e Françoise Picq, demonstraram que a famosa greve feminina de 1857, que estaria na origem do 8 de Março, pura e simplesmente não aconteceu (1), não vem noticiada nem mencionada em qualquer jornal norte-americano, mas todos os anos milhares de orgãos de comunicação social contam a história como sendo verdadeira («Uma mentira constantemente repetida acaba por se tornar verdade»).


Verdade é que em 1909, um grupo de mulheres socialistas norte-americanas se reuniu num "party’, numa jornada pela igualdade dos direitos cívicos, que estabeleceu criar um dia especial para a mulher, que nesse ano aconteceu a 28 de Fevereiro.


Ficou então acordado comemorar-se este dia no último domingo de Fevereiro de cada ano, o que nem sempre foi cumprido.


A fixação do dia 8 de Março apenas ocorreu depois da 3ª Internacional Comunista, com mulheres como Alexandra Kollontai e Clara Zetkin.


A data escolhida foi a do dia da manifestação das mulheres de São Petersburgo, que reclamaram pão e o regresso dos soldados.


Esta manifestação ocorreu no dia 23 de Fevereiro de 1917, que, no Calendário Gregoriano (o nosso), é o dia 8 de Março.


Só a partir daqui, se pode falar em 8 de Março, embora apenas depois da II Guerra Mundial esse dia tenha tomado a dimensão que foi crescendo até à importância que hoje lhe damos.A partir de 1960, essa tradição recomeçou como grande acontecimento internacional, desprovido, pouco e pouco, da sua origem socialista.
(1)Se consultarmos o calendário perpétuo e digitarmos o ano de 1857, poderemos verificar que o 8 de Março calhou a um domingo, pelo que nunca poderia ter ocorrido uma greve nesse dia de descanso semanal.
(Pesquisa efectuada por Maria Luísa V. Paiva Boléo)

Desde 1975, em sinal de apreço pela luta então encetada, as Nações Unidas decidiram consagrar o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher.Se, nos nossos dias, perante a lei da maioria dos países, não existe qualquer diferença entre um homem e uma mulher, a prática demonstra que ainda persistem muitos preconceitos em relação ao papel da mulher na sociedade. Produto de uma mentalidade ancestral, ao homem ficava mal assumir os trabalhos domésticos, o que implicava para a mulher que exercia uma profissão fora do lar a duplicação do seu trabalho. Foi necessário esperar pelas últimas décadas do século XX para que o homem passasse, aos poucos, a colaborar nas tarefas caseiras.Mas, se no âmbito familiar se assiste a uma rápida mudança, na sociedade em geral a situação da mulher está ainda sujeita a velhas mentalidades que, embora de forma não declarada, cerceiam a sua plena igualdade.O número de mulheres em lugares directivos é ainda diminuto, apesar de muitas delas demonstrarem excelentes qualidades para o seu desempenho. Hoje as mulheres estão integradas em todos os ramos profissionais, mesmo naqueles que, ainda há bem pouco tempo, apenas eram atribuídos aos homens, nomeadamente a intervenção em operações militares de alto risco.Nos últimos anos, a festa comemorativa do Dia Da Mulher é aproveitada por muitas delas, de todas as idades, para sair de casa e festejar com as amigas, em bares e discotecas, o dia que lhes é dedicado, enquanto os homens ficam em casa a desempenhar as tarefas que, tradicionalmente, lhe são imputadas: arrumar a casa, fazer a comida, tratar dos filhos...Se a sua esposa, irmã, mãe ou avó ainda é daquelas que, não obstante as suas tarefas laborais no exterior, ainda encontra tempo e paciência para que nada lhe falte, o mínimo que poderá fazer será aproveitar este dia para lhes transmitir o seu apreço. Um ramo de flores, mesmo que virtual, será, certamente, bastante apreciado. Mas não se fique por aqui. Eternize este dia, esquecendo mentalidades preconcebidas, colaborando mais com elas nas tarefas diárias e olhando-as de igual para igual em todas as circunstâncias.




Feliz Dia Mulheres!









Plena mulher,

maçã carnal,

lua quente,

espesso aroma de algas,

lodo e luz pisados,

que obscura claridade se abre entre tuas colunas?

que antiga noite o homem toca com seus sentidos?

Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,

com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:

amar é um combate de relâmpagos e dois corpos por um so mel derrotados.

Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,

tuas margens, teus rios,

teus povoados pequenos,

e o fogo genital transformado em delícia corre pelos tênues caminhos do sangue até precipitar-se como um cravo noturno,

até ser e não ser senão na sombra de um raio.


Pablo Neruda

quinta-feira, 5 de março de 2009





Talvez no mar eu encontre o espelho de mim...

E ao avaçar da aurora descubro que a fuga... onde me refugío de tudo...

...talvez.. lá...

"Gastamos tudo... menos o silêncio..."



Subtilmente,

a lagrima escorreu-lhe pelo rosto e deixou um rasto de luz, salgada...

correu...

caminhou,

ora rapida ora vagarosa,

mas deslizou até ao infinito..

Até à imortalidade...

la só lá,

onde a noite é uma constante,

onde a lua adormece

e o sol acorda!

Ausência...


Sabes…Como me dói a tua ausência?
Queria dizer-te tantas palavras que me vêm ate aos lábios…
Mas a dor é maior… e não me deixa falar…
Sei agora, que já te perdi…
Perdi a ultima esperança de um dia te poder voltar a ter,
Agora dói o saber que é uma verdade,
Que te deixei de ter,
Que nunca mais te voltarei a ter…
Dói-me tudo… de mim, em ti…, de ti… em mim…
Arrancaram – me uma parte de mim…
Tu eras uma parte de mim.
Tu eras essa parte, e fazes-me falta!
Sinto a imensidão do mundo à minha volta… e sinto o quanto sou pequena
No meio de tudo isto… faltas-me tu!
Deixaste-me o cheiro do teu rosto, uma vez mais…
O sabor dos teus beijos… quentes, meigos e famintos… de nós!
e… o encanto de poder adormecer embalada pelo calor do teu peito,
pelo teu cheiro,
pelo teu abraço forte,
por ti!
A dor é grande, meu amor
E deixa uma angústia crucificante
Não sei já de mim, sem ti
Não sei já de nós
Quero amar-te e não te tenho
… e tenho uma sede infinita de ti…
De nós…
E não consigo evitar,
… mas eu amo-te!

Daniel Bedingfield - If You're Not The One

quarta-feira, 4 de março de 2009

terça-feira, 3 de março de 2009

Arte... de Viver...



"(...) Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exacto.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, o meu sofrimento emocional, não passava de um sinal de que estava indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo a isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa;e que até pode não estar preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projectos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!! "

Charles Chaplin